quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Boa Morte

Newton Bignotto em seu texto “Das barricadas à vida privada” usa uma metáfora sobre uma balança, onde de um lado está a figura do “eu” e do outro lado a figura do “nós”, essa alusão é feita pelo autor para explicar a ciência política. A partir desta balança podemos então começar a verificar alguns erros e acertos da sociedade ocidental moderna, porem tal subterfujo não nos permite abordar todos os pontos de vista da Bioética, mas nos permite visualizar melhor as expectativas centradas na vida e no paradigma biotecnológico, um deste pontos a qual abordarei utilizando a mesma metáfora de Bignotto é o tema da “boa morte”. Na morte temos algumas figuras envolvidas, o falecido em uma das bandejas e na outra os familiares, parentes e amigos. Há anos atrás a figura que mais importava num funeral era o falecido assim, naquela época, a balança pendia quase que totalmente para este lado e por tanto as suas crenças e vontades eram obedecidas. Com o avanço da sociedade e da medicina esta balança em algum momento se altera de tal modo que o sofrimento não é mais de quem vai, mas de quem fica as crenças e vontades não são mais o do falecido, mas sim das pessoas que aqui ficam, os parentes e familiares agora não mais informam o (ainda) doente das suas reais condições de saúde, a morte é evitada a qualquer custo (mesmo e principalmente , em alguns casos, ao aumento de sofrimento do doente), o que em outros tempos era o momento da morte se estende, quase indefinidamente, por dias, meses e (em alguns casos) em anos. E onde fica a boa morte sendo que para alguns destes doentes o estar vivo é um sacrifício extremado? Inúmeras filmografias abordam e respondem essa pergunta, ilustrando todo o tipo de opinião, dentre estas obras temos os exemplos de “mar a dentro”, “They Shoot Horses, Don’t They” e “Whose Life Is It Anyway”, claro que nem toda a morte é precedida de sofrimento, mas o fato de haver em algum momento, em alguma morte este fenômeno nos impulsiona a pensar e discutir tal tema, o que seria a boa morte e se há algum momento em que (em nome da boa morte) devemos intervir. Não há respostas fáceis e não há uma opinião coesa entre pensadores, juristas, médicos ou religiosos, aqui a balança entre os que vão e os que ficam ainda funciona aumentando os interessados na discussão. Boa morte na minha opinião depende da autonomia do individuo que vai alçar aos braços da morte, a morte é inevitável e a pessoa quando em vias de morrer deveria ter total liberdade de escolher o momento que quer que a dor de viver o deixe (aqui não falo só em dor física mas em dor num contexto mais geral), esta autonomia também responde pelas pessoas que querem a todo custo viver, mas o grande ponto disso é que essa autonomia que surge do individuo seja respeitada pelos demais, sejam os familiares, parentes, amigos ou juízes, advogados, médicos. O que seria boa morte para você? Acha que a família vem primeiro? Concordas com a opinião deste que escreve? O que realmente importa não é se o leitor concorda ou não comigo, mas quebrar o tabu da morte e discutir o tema para que juntos desmistifiquemos a morte e seus efeitos. Obrigado.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Confiança

Confiança, ô palavrinha complicada,
temos o equivalente de um escudo de segurança que nos envolve, está é a confiança, de vez enquando, ampliamos este escudo e ele recobre (total ou parcialmente) alguem, o quanto da pessoa é recoberto pelo escudo indica o quanto confiamos nesta pessoa.

O problema é que tal confiança é de certa forma cega, e achamos inclusive que ela encherga no escuro.

Você deve estar se perguntando como assim?

Bem desta vez não é simples, é complexo, o fato é o seguinte, existem inumeras variaveis a equação de confiabilidade, mas seria algo como conciabilidade é diretamente proporcional ao produto da sua alto confiança com a soma do conhecimento sobre a pessoa com as ações desta pessoa na sua presença, e inversamente proporcional ao produto da distancia pelo tempo sem se falar. expressando em uma função

C= X. Au.(Cp +Ap) / d.t

Onde temos:

C - é a confiabilidade;
Au - Taxa de auto confiança do individuo;
Cp - Conhecimento sobre a pessoa;
Ap - Ações da pessoa em sua presença;
d - distância da pessoa;
t - tempo sem falar com a pessoa;
X - é a cosntante de prporcionalidade tabelada a partir do setimento sobre a pessoa, local que a pessoa frequenta, entre outras.

a apartir deste simples calculo é possivel saber o valor de confiabilidade sobre a pessoa, porem a quantificação sobre cada item pode ser impreciso e a margem do erro sobre o mesmo pode ser de alto indice.

ta ok ja deu para perceber que a confiança é uma coisa dificil de se conseguir, e exatamente pelo alto grau da margem de erro, muito facil de se perder.

mas o porque de estar escrevendo sobre isso?

Por que sempre tem alguem dizendo que não confia em "a" ou "b", ou pior alguem falando que já não confia mais.
em namorados, maridos, amigos, colegas, familia, etc.

e qual é a melhor maneira de ser feliz?
ignorando a razão e o calculo, e simplesmente sentindo o que deve ser feito, use o seu instinto, seu sentimento e seja feliz.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

"Amor"

Durante os anos de minha vida vi reinar sobre as pessoas inúmeros Tabus (sendo Tabu o assunto que gera desconforto e pode ser erroneamente interpretado).Porem, o Tabu que quero falar, vem mudando para alguns grupos de individuo e por tanto banalizando-se.Falar que ama alguém, e não é amor carnal, hedonista ou platônico, mas sim o puro e verdadeiro amor fraternal (também conhecido como amizade), e aqui vem uma importante pergunta quantas amizades você tem que podes (sem qualquer erro de interpretação) dizer Eu te amo, e mais importante se você tem tal costume, é para as reais amizades ou para qualquer amigo?

(amigo outra palavra banalizada, eu tenho reais amigos, tenho os potenciais amigos, tenho colegas, tenho conhecidos, e isso não impede de gostar de todos).

Mas voltando ao ponto.
Eu tenho sorte, pois extraindo os familiares tenho amigos que posso e falo "Eu te amo" e a primeira referencia é minha amiga Manu. Minhas idéias e as delas não batem, somos diferentes, mas eu a amo (e não, para aqueles mentes sujas eu não tiro casquinha dela, eu cuido dela e ela de mim). Alem deste belo exemplo tenho contando pelo menos mais 5 pessoas (tinha outras potencialidades, mas o tempo e a distancia atrapalharam o fortalecimento dos laços de amizade) são eles: Andressa, Cidi, Dai, Maria e Valmes; gente amo os 6 e os considero muito.

Bem mas qual o motivo de tudo isso???

Primeiro quero homenagear meus reais amigos;segundo acho que amizade não deveria ser Tabu e assim lembrar a todos que tem que valorizar a amizade;terceiro queria tirar isso da minha cabeça que tava martelando há dias.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Depois da noite regada a Vodka


Мой, мой друг дает еще дозу, то почему она оставила меня в tatters, должны помнить, вы, вы отлично другу
(os erros gramaticais são inerentes à ausência de sangue no álcool do individuo)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

... enquanto isso num botequim perto de você


Numa manhã de sol conversando com uma querida amiga ouço dela uma reclamação. - Que ressaca. Pensando no problema dela, me peguei divagando nos meus próprios dilemas, em minha própria existência. Avancei, seguindo numa filosofia de "botequim".

Mas o que é a ressaca? Sendo que num momento de fraqueza bebendo em demasia e alterado fiz algo que normalmente não faria, me deixei levar pelas emoções (quem nunca fez isso?). Eis que um novo dia surge e com ele uma nova sensação, destilando esta dor de cabeça, extraindo lembranças ruins de algo que devia ter sido muito bom.

Depois de navegar neste mar de incertezas me deparo com a luz ao meu questionamento.

Ressaca é o retorno doloroso da razão.

Mas como assim? Você diria.

Simples.

Durante séculos o homem tem lutado contra o animal emocional que abita em nosso corpo, o que tem conseguido com relativa eficiência (Freud explica), mas durante as noites (nem sempre solitárias), e em alguns casos de dia também, fazemos uso de substâncias que alteram o equilíbrio Razão-Emoção o que faz a emoção ganhar força, logicamente a substancia acaba e a razão volta com tudo (ressaca).

O que tiramos de todo este Botequim?

Menina o que você aprontou ontem à noite?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Algo para ser lido, excelente, e o toque de um dos maiores poeta da língua portuguesa (Fernando Pessoa) torna tão bom quanto se fosse lido em língua original.
Boa leitura





CORVO *(de Edgar Allan Poe)



Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.
"Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!


Fernando Pessoa


* Traduzido de The Raven, de Edgard Allan Poe, ritmicamente conforme com o original.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Uma noite de (des)encantos


Em uma noite sublime de conhecimentos, e saberes, temos que tirar o que de pior ficou para que depois este não mais seja o tom das noites.
(se ligou amiga?)

Você vai sempre se surpreender com as pessoas, umas sendo uma surpresa agradavel, outras nem tanto, mas o jogo ainda tem que ser jogado, fique feliz pelo que te surpreende agradavelmente e tente esquecer as surpresas desagradaveis, releve, dê a outra face e seja feliz, por que se você fez tudo o que podia e não deu certo é pq os outros que faltaram contigo (e ninguem pode dizer o mesmo de vc)

A dry river of tears.

Márcio (Rabino) Henrique

PS.Ainda bem que foi verão